Esse seria o dia mais desafiador de nossa viagem pois passaríamos pelo local conhecido como Abra El Acay, a 4.950 m, uma das rotas regulares de veículos mais altas do mundo. Estávamos todos apreensivos porque não sabíamos como seria a nossa reação a uma altitude tão elevada, ainda mais numa subida tão rápida como desse dia, partindo dos 1.200 m de Cafayate.
Iniciamos nossa viagem pela lendária Ruta 40, maior estrada da Argentina, com mais de 6.000 km de extensão e quase toda em rípio. No nosso roteiro teremos aproximadamente 50 km de asfalto, sendo uns 40 km em Cafayate e outro tanto em Cachi, nossa primeira parada a 160 km de distância.
Logo após a saída de Cafayate já começamos a avistar as primeiras montanhas nevadas. A primeira grande atração do dia foi a Quebrada de Las Flechas, com suas formações rochosas espetaculares e únicas. O arenito das rochas é tão frágil que se esfarela ao passar a mão sobre elas.
Até esse ponto conseguimos manter uma média de 70 km/h na maior parte do tempo, pois a estrada era larga e muito bem conservada. Depois da Quebrada a estrada ficou bastante ruim e com muitas passagens estreitas e sem visibilidade na beira de alguns barrancos muito altos. Por outro lado a paisagem do rio Calchaqui com seus inúmeros vales totalmente verdes era de encher os olhos. Chegamos em Cachi depois de 4,5 horas de viagem. Abastecemos os carros e os estômagos e iniciamos a segunda parte da viagem.
Logo após Cachi, 2.400 m, uma reta em rípio enorme e muito larga, com piso excelente, onde chegamos a 90 km/h levantando muita poeira. A subida começou lenta e vagarosamente chegamos ao 3.000 m. Muitas montanhas altíssimas de cores variadas e vales muito verdes nesse trecho também. Depois de umas duas horas de viagem iniciamos a grande subida do Abra El Acay. Um rio lindíssimo acompanha a estrada e por várias vezes foi preciso atravessá-lo.
A medida que subíamos os carros começaram a perder força. Para arrancar era necessário pisar fundo e subir bem o giro do motor. O Emílio sofreu bastante já que seu carro não possui motor turbinado como os Trollers. A pressão máxima que a turbina do meu carro atingia não passava de 0,9 bar, quando o comum no meu carro é de 1,2 bar. Curvas extremamente acentuadas e inclinadas – tipo Serra de Ubatuba – subiam serpenteando a cordilheira. Em outros pontos curvas estreitas e sem visibilidade ao lado de precipícios enormes. Emoção pura o tempo todo.
Eu e a Mônica praticamente não sentimos nenhum dos efeitos da altitude. Sem dor de cabeça, náuseas, tonturas e outros. Apenas uma leve fraqueza nas pernas e uma pequena falta de ar quando fazíamos algum esforço maior, tipo correr atrás de lhamas para fotografá-las.
Chegamos ao alto do Abra El Acay, 4.950 m, em torno das 17h. O visual era magnífico, sem nuvens e com muito vento. A temperatura externa era de 8 ºC, mas a sensação térmica causada pelo vento deixava tudo muito gelado. Eu calculo que estava em torno de -10 ºC. As mãos e o rosto congelavam em pouquíssimo tempo. Tiramos algumas fotos e iniciamos a longa descida até Los Cobres.
A descida também é espetacular. Vimos muitas vicunhas e até mesmo uma viscatcha (lebre andina) que parou em uma pedra ao lado do carro e permitiu várias fotografias. Depois de muitas curvas, uma reta espetacular de mais de 10 km que desceu dos 4.600 m até os 4.000 m onde mantivemos uma média de 90 km/h no rípio, em excelente estado.
Chegamos em Los Cobres, 3.770 m, já no escuro, procurando por uma hospedaria que eu tinha achado na internet. Los Cobres é uma cidade sinistra e feia, com um povo bastante arredio. Parecia que éramos de outro planeta de tanto que nos encaravam. Depois que encontramos uma pessoa que entendeu o que falávamos e com boa vontade para nos informar, encontramos a hospedaria. Sinistra também e resolvemos nem parar. Nisso uma picape que estava nos seguindo desde um trecho da cidade parou e um homem abordou o Cesar e nos ofereceu um lugar para que nós nos hospedássemos.
Meio desconfiados seguimos o carro e chegamos a uma hospedaria excelente, nova, barata e com restaurante ainda por cima. O homem do carro era policial e médico, proprietário do local e médico do hospital da cidade e do posto de fronteira com o Chile. Em Los Cobres nossos amigos estavam bem ruins por causa dos efeitos da altitude e precisaram ir ao hospital para receber um pouco de oxigênio.
Devido ao excesso de poeira meu carro ficou com as travas e fechaduras meio emperradas e a mola a gás do vidro traseiro (basculante) perdeu a ação. Nos carros do César e do Emílio também entrou muito pó.
Foi um dia muito puxado e emocionante. Jantamos algumas empanadas de carne de lhama, um cozido de legumes com carne de lhama e um macarrão caseiro, todos muito bons. Os valores do restaurante achamos um pouco caros, mas naquela cidade quase isolada no mundo, tudo é muito difícil de chegar. Até mesmo o combustível era 30% mais caro do que estávamos pagando.
O nome da hosteria em Los Cobres é El Aujero - http://www.elaujero.com.ar/IndexI.html - e-mail: jorgeafpark@hotmail.com
O nome da hosteria em Los Cobres é El Aujero - http://www.elaujero.com.ar/IndexI.html - e-mail: jorgeafpark@hotmail.com
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| Cafayate |
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| Quebrada de Las Flechas |
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| Cultivo a quase 4.000 m |
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| Pirambeira a 4.900 m... |
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| Longa descida até Los Cobres |
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| Viscatcha |
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| San Antonio de Los Cobres |








































